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Practice

O ritmo no pranayama
Miguel Homem
10-07-2015


Uma questão importante é saber quando progredir de um ritmo para outro. Sobre esta questão as notas que se deixam são destinadas àqueles que se queiram dedicar de forma sistemática ao prāṇāyāma e não aqueles que se dedicam a ele de forma esporádica.

Lembre que a duração de cada respiração tem uma importância limitada. O importante é o ritmo. Ele marcará a diferença. Devemos progredir na medida do conforto, sem forçar. 

O primeiro ritmo que deve ser conquistado é o 1-0-1, mais conhecido por 1-1. O que seria dominar este ritmo varia de professor para professor, há quem sugira 20 tempos (segundos) para inspirar e 20 para expirar, quem sugira 24-24 e quem diga mesmo que um ciclo de respiração deve sempre somar o mínimo de 1 minuto para que o organismo tenha uma boa margem de segurança para progredir. Neste caso teríamos 30 tempos para inspirar e 30 para expirar. Em última análise temos de nos guiar pelo bom senso e seguir a indicação do nosso professor. O que é o domínio deste ritmo básico também vai depender do método que adoptarmos para progredirmos nos ritmos.
Também aqui não existe uma forma definida e precisa para saber quando passamos para o ritmo 1-0-2 ou 1-2. A primeira técnica que aprendi foi manter o tempo da inspiração conquistado no ritmo 1-1 e lentamente alongar a expiração. Se esse for o método usado e se a intenção for iniciar uma prática sistemática de prāṇāyāma recomendaria permanecer no ritmo 1-1 até se alcançar uma respiração de 12-12 tempos.
Outro método que aprendi posteriormente é o de reduzir o tempo da inspiração conquistado no ritmo 1-1 a metade, manter o da expiração e a partir daqui ir alongando lentamente a inspiração e expiração (e a seu tempo as retenções) na proporção do ritmo. Este método assegura uma progressão mais fácil nos ritmos, mas exige dar-se mais tempo no ritmo 1-1. Assim, sugeria neste método e, se a intenção for iniciar uma prática sistemática de prāṇāyāma, permanecer no ritmo 1-1 até se alcançar uma respiração mínima de 20-20 tempos.


Qualquer um dos métodos de progredir no ritmo deve ir sendo adaptado aos ritmos novos, mudando aquilo que tem de ser mudado. No caso do primeiro método poderei progredir para o ritmo 1-1-1 (em que se acrescenta a retenção com ar) uma vez que o ritmo 1-2 tenha sido alcançado e dominado. No caso do segundo método e mantendo a lógica dos tempos sugerida o ritmo 1-2 seria dominado com a respiração mínima de 20-40 tempos e então mais uma vez reduziríamos a inspiração a meio e teríamos uma respiração de 10-10-10 tempos que seria claramente acessível e dali progrediríamos até 20-20-20 tempos. Daqui progrediríamos para o ritmo 1-1-2 reduzindo a inspiração a meio para termos uma respiração de 10-10-20 tempos e progredindo lentamente até termos uma respiração de 16-16-32 tempos. Daqui progrediríamos para o ritmo 1-2-2 reduzindo a inspiração a meio para termos uma respiração de 8-16-16 tempos e progredindo lentamente até termos uma respiração de 12-24-24 tempos. E então podermos aproximar o ritmo 1-4-2. Mais uma vez, reduzindo a inspiração a meio para termos uma respiração de 6-24-12 tempos e progredindo lentamente até termos uma respiração de 12-48-24 tempos.


* Este ritmo 1-4-2 é muito citado nos diversos textos do Haṭha e talvez o ritmo mais famoso. Para termos uma ideia dos tempos (mātrās) envolvidos neste ritmo a Gheraṇḍa Saṁhitā dividi-os em inferior, médio e o melhor, respectivamente 12-48-24, 16-64-32 e 20-80-40 tempos. Se tomarmos o mais acessível teríamos uma inspiração em 12 tempos, retenção em 48 e expiração em 24. Alguns professores recomendam que este ritmo seja precedido do ritmo 1-2-2-1 como consta da lista de ritmos deixada. Outros recomendam que seja feito apenas depois do ritmo 1-4-2 seguindo-se a descrição deixada acima. Neste caso teríamos a seguinte sequência de ritmos: 1-2-2, 1-4-2, 1-2-2-1, 1-4-2-1 e 1-4-2-2.

É importante lembrar que nunca deve haver tensão na respiração, que a inspiração não deve ser levada ao máximo, as retenções não devem ser exageradas e a expiração deve ser lenta e controlada. Assim, quando os sintomas de tensão forem sentidos sugere-se que se regresse à respiração natural por alguns ciclos para depois se retomar o prāṇāyāma em questão. Este regresso à respiração natural pode ser muito produtivo, porque mesmo sem notarmos vamos acumulando tensão no corpo e mente, e a pausa para a respiração natural revela-o claramente.


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