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Prática

Nididhyasana, a contemplação
Miguel Homem
07-10-2011


Na Sequência do Texto a Meditação na Tradição do Yoga e Upásana, as diferentes meditações de preparação, deixa-se agora um texto sobre Nididhyasana, a contemplação.

   Como se deixou dito, a sequência é do upásana para shravanam e mananam, e só depois para nididhyásana.

O que quer que seja de ensinamento que tenha sido recebido, é revisto mentalmente, vez após vez. Isto é nididhyásana. E qual é o ensinamento? É que átman é sempre livre de problemas e anátama nunca é livre de problemas :) E lembre-se que quando se diz átmá, diz-se eu, eu sou sempre livre de problemas, enquanto o corpo, mente e mundo externo nunca serão livres de problemas.

Pensar-se que um dia tudo estará bem é uma criancice. Na vida resolve-se um problema e logo outro chega. Existirão sempre situações difíceis na família, na sociedade e no mundo. Mesmo no tempo de Ráma existia um Rávana. O que se pode é substituir um problema por outro. No corpo que envelhece, um problema substitui-se por outro. Na mente, as impressões que recebemos nunca serão as mesmas. Ver uma situação agradável será sempre diferente de ver uma situação desagradável, porque ver uma rosa não é igual a ver um morto. Portanto, esperar condições ideais em anátama é uma ilusão. A clareza e o discernimento têm de ser: sou shanta independentemente das condições não ideais, dos problemas de anátmá. A tendência da mente será sempre projectar a felicidade no futuro, pensar que uma vez que o problema se resolva, tudo ficará bem. A tendência da mente é adiar a paz da mente. É o que cada ser humano faz desde criança.

No nididhyásana destrói-se este padrão de pensamento. Existe a visão clara de que se não estou contente agora, não ficarei amanhã, se não estou em paz agora, não estarei amanhã, se não estou livre agora, não estarei amanhã. Esta afirmação que se faz para si mesmo, não é feita de forma cega, mas compreendida. No nididhyásana, "eu sou plenitude", aham púrnah é uma afirmação válida, porque tal me foi revelado, porque vejo essa validade. Posso, por isso, afirmar "eu sou livre de medo" porque chaitanya, a consciência que sou não pode ser destruída. Nididhyásana consiste em ver um facto e sem o ensinamento, a afirmação do facto não passa de uma auto-hipnose.

Assim, o propósito é deixar cair todas as expectativas em relação a moksha, púrna, shanta etc. Nididhyásana não é ficar sem pensamentos, mas orientado para ter pensamentos mantidos de forma deliberada. Tampouco orientamos o nididhyásana no sentido de experiências, mas procuramos remover o vásaná da eterna procura do que não está presente.

Diferentemente do upásana, o nididhyásana não é uma ocupação limitada no tempo. Upásana é feito num tempo e espaço. É necessário interromper outras ocupações, e dar-se um tempo e espaço para esta outra ocupação. Já o nididhyásana não é uma ocupação feita num tempo determinado, mas lembrar o ensinamento a todo o tempo. O ensinamento é para ser mantido vivo no dia-a-dia. Por exemplo, quando temos um dever a cumprir e a tendência da mente é pensar que quando isso estiver acabado estarei em paz, percebemos imediatamente que tal significa que já estamos a negar a paz da mente agora e a adiar para depois. Quando estas tendências aparecem, o papel do nididhyásana aparece também e lembramos que paz da mente e o cumprimento de qualquer tarefa ou trabalho não têm qualquer conexão, paz da mente e qualquer projecto não tem qualquer conexão. Tudo o que se espera do futuro é novo karmaphalam, e karmaphalam é sempre anitya. Assim, procuramos evitar comportamentos e respostas não coerentes com o ensinamento a qualquer momento e em qualquer altura.

Quando percebemos as reacções automáticas surgirem como a raiva, isso mostra-nos que esquecemos o vedánta, por isso quando as reacções surgem, actualizamos o ensinamento e deixamos cair a reacção. E quando temos um problema específico podemos praticar nididhyásana sentados num local, de olhos fechados, mas conscientes que nididhyásana não é sentar em padmásana com os olhos fechados. A contemplação acontece sobretudo de olhos abertos, regrando-se o comportamento diário baseado no ensinamento védico. Quando certos problemas e preocupações são fortes, como raiva ou medo, procuramos dedicar algum tempo só a lidar com isso. Assim como em upásana as regras não são o importante, aqui o ásana não é o importante, fechar os olhos não é o importante, o importante é não esquecer o ensinamento.


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